Goodbye!

Não é meu último post na MS, longe disso, mas é um adeus a uma série de mudanças que venho prometendo — e cumprindo — ao longo destes últimos meses pandêmicos, pelos quais todos nós estamos passando.

Concentrado em tornar viáveis todas as ideias que ficam saltitando pela minha cabeça, perdi um pouco a noção de onde estava, do que fazia e só quando olhei para o esboço e pensei em quanto faltava para dizer: Parla! Me dei conta de que estava um pouco perdido, no tempo e espaço e pior… arrastando outras pessoas para este labirinto.

Pessoas legais, alguns que já conheço há muitos anos e outros que conheci mais recentemente, mas descobrimos afinidades diversas.

E então veio o estalo…

Conforme já devo ter contado diversas vezes, um dia acabei de assistir uma palestra do saudoso Steve Jobs, um cara super ativo e cheio de ideias… Nela o SJ apresentava o primeiro iPad (acho que este era o nome) que eu sempre preferi chamar de tablet e que de novo — comparando com outros feitos do SJ — tinha muito pouco, mas era lindo, era funcional e me deixou com uma ideia fixa na mente… colocar a MS naquela telinha.

Quem me conhece, conhece a minha frase preferida…

“Não sabia que era impossível, então foi lá e fez.”

Esta frase é atribuída ao fantástico Einstein, mas não com esta formulação, então se ele a disse alguma vez, alguém mudou um pouco ou alguém falou antes e ele mudou um pouco, o fato é que além de gostar dela, a uso como parâmetro para minhas decisões.

E num dia qualquer, há mais de 10 anos escrevi o primeiro número de uma nova revista Micro Sistemas, só fui lá e fiz, achando que era um fogo de palha que não ia durar muito.

Neste ano da COVID, de 2020, entendi que a MS não podia continuar a ser um zine, um trabalho de fã e comecei a engrenar todas as ideias que sempre estão saltitando em volta e ao invés de tratar cada uma como um projeto distinto, decidi coloca-las todas na MS, enfim fazer uma nova MS, mas nova mesmo… não apenas uma pálida cópia do que ela foi nos tempos em que era impressa em papel e chegava — vtoriosa — as bancas, para quem a esperasse, porque se demorasse…. não tinha mais.

E estava tão empenhado neste sonho que nem me perguntei se alguém mais queria efetivamente isso, como não havia quem dissesse que deveria pensar melhor, não pensei… até o dia em que pretendia derrubar a primeira parede para começar a reforma.

Fechei os olhos e visualizei a “nova MS” e percebi que ali não tinha um resquício sequer da MS que eu lembro com tanto carinho, tanto que a copiei nos últimos 10 anos, mais ou menos como na música que Milton Nascimento imortalizou…

“… para cantar, nada era longe, tudo é tão bom, até a estrada de terra na boleia do caminhão…”

Não desisti de cantar, menos ainda de meus sonhos, no entanto pensei que não seria eu a destruir algo que o tempo e as circunstâncias transformou em “patrimônio histórico” e percebi isso claramente quando o RD lançou o número 23A da MS, uma espécie de “replay” da edição histórica onde foi lançado o “Aventuras na Selva”. Participando dos eventos de lançamento percebi que as pessoas que conhecem a MS, seja por te-la descoberto fora de época ou por ter participado daqueles tempos de glória, querem qualquer coisa da MS, mas duvido que fossem gostar de algo diferente do que foi.

E quem não conhece, não está nem aí e não vai estar porque um maluco mudou a logo eterna e derrubou a casa tombada, para fazer outra.

Me senti como o personagem de Michael Douglas no final de “Um dia de fúria”, se dando conta de que passou a ser o vilão, com a diferença que ainda não tinha ultrapassado o “point of no return“, aquele momento trágico onde não há mais combustível nem para voltar e tampouco para prosseguir e menos ainda onde pousar.

Parei imediatamente, pedi desculpas aos que embarcaram na nave e informei que iríamos pousar em segurança e embarcar em nova nave.

A MS, como vocês estão acostumados a ver vai continuar aqui, pretendo inclusive terminar um trabalho de recuperação de algumas partes que se perderam no caminho e não estão mais publicadas no endereço, que continuará o mesmo.

Só não esperem novos editoriais, ou novidades no que não é mais novo… continuarei a escrever na MS, porém só quando entender que o texto tem a ver com a MS que me levou a tocar este projeto e a mesma continua aberta a textos de terceiros, desde que eles tenham a ver com a MS e digo isso porque eu mesmo coloquei diversos textos na revista que talvez estivessem melhor em outros lugares e na falta de alguém que se importasse para dizer isso, fui deixando, perdendo a noção.

Não é o caso de tirar, nem pedir desculpas, mas é o caso de não seguir fazendo.

No mês passado fiquei feliz de inaugurar uma seção nova, de quadrinhos, de piadas, que na verdade já quis fazer antes na MS impressa e tive até mesmo autorização da Alda para fazer, uma seção de quadrinhos sobre informática. Como não havia ninguém para fazer assumi a função, porém ao ler meus próprios quadrinhos, percebi que se um dia fosse ter tal sessão não deveria ser eu a fazer… seria interessante ter algo lá feito por pessoas com mais talento e humor, mas não tinha na época e agora, mesmo encontrando quem se interesse em fazer, acredito que não é mais o caso, embora ainda queira isso… adoro quadrinhos e vivo atrás de quem os faça para o segmento de tecnologia, sei que há muitos, mas não é na MS que devo coloca-los.

Então parei tudo… freio total e vou passar a me dedicar a uma nova revista, que terá assim um pouco da MS no DNA, porém deve ser algo compatível com o tempo atual, inclusive com uma visão mais aprimorada que tenho da comunicação, da arte e da tecnologia, nos tempos atuais… não os de pandemia, mas de conquistas.

Então me despeço da MS, que lutarei para preservar e manter e não para mudar… e passo a me dedicar a um novo projeto, que por enquanto tem o codinome NG e não preciso esconder ou fazer charminho, NG de Nova Geração e claro que tem a ver sim com o mundo trekkie, mas não se preocupem os fãs… não pretendo ressuscitar também este mundo, até porque há pessoas bem melhores que eu fazendo isso, mas aquela frase… “audaciosamente indo, onde nenhum homem jamais esteve” tem tudo a ver com minha frase predileta e começo por ai, quero ir até onde ninguém foi ainda… ou morro tentando, não importa.

Para aqueles que convidei ou pretendia convidar para embarcar na nave da MS, o convite é permanente e vitalício, tanto para a MS, caso queiram manter sua memória de alguma forma, mas também para esta nova nave… essa espécie de holodeck virtual que pretendo criar, passo a passo, devagar e sempre como convém a um velho capitão como eu.

Deixo-lhes a palavra e a MS segue sendo o que sempre foi e continuará sendo, pois o que é bom nunca termina.

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