HUMOR&ARTE

APERITIVO

Este “aperitivo é uma amostra de como as matérias passarão a ser mostradas a partir de 01/07/2020. Haverá sempre um prólogo, explicando o que virá e se o leitor se interessar, poderá continuar a leitura, mas para isso precisará se tornar um patrono da revista, maiores detalhes sobre isso, muito em breve, fique de olho.

Então vamos a esta matéria…

Desde quando trabalhava na MS impressa, queria que a revista tivesse uma seção apenas direcionada ao humor e também direcionada as artes.

Havia bastante humor na revista, tiradas ótimas nas ilustrações, capas incríveis, mas eu queria algo que ao mesmo tempo tivesse a ver com tirinhas em quadrinhos, tipo quando era garoto e abria os jornais direto na seção de quadrinhos, para ver o trabalho de grandes ilustradores.

Para ter uma ideia dos assuntos que serão tratados, veja o álbum de fotografias desta matéria, basta clicar no QR Code ou usar seu celular.

Esta é uma matéria em primeira pessoa, escrita pelo DL, seu propósito é esclarecer que importância tem, para ele, esta nova seção da sua MS e ao mesmo tempo fazer um pequeno passeio pela história da HQ.

Se gostar, não esqueça de compartilhar com os amigos, se não gostar, compartilhe com os inimigos 🙂 E também conte porque não gostou, prometemos tentar melhorar.

PAIXÃO POR QUADRINHOS

Um dos meus quadrinhos preferidos, na infância, era Mortadelo e Salamino, dois agentes secretos muito atrapalhados, que tinham uma página inteira, colorida, só para o excelente trabalho do espanhol Francisco Ibáñez e ficava este pequeno CE, aguardando a edição de domingo, que era quando apareciam no jornal A Cidade, lá no interior de São Paulo.

Chegava a ficar esperando o jornaleiro na madrugada e por acaso (#SQN) acabei trabalhando neste mesmo jornal, como entregador…

Será que foi só para ler os quadrinhos antes de todo mundo?

Sempre adorei HQ, comecei a ler por volta de 3 anos porque queria saber o que tinha naqueles balões, meu pai tinha muito gibi e eu ficava folheando, curioso para entender o que havia ali, me disseram que eram as falas dos personagens e de tanto perguntar acabei aprendendo sozinho,

Para quem acha que quadrinhos atrapalha a leitura, não foi meu caso, eles foram a porta de entrada para os livros, que passei a devorar também.

Gostava tanto de quadrinhos que com mais de 20 anos era praticamente sócio da banca de jornais em frente a minha casa, já no Rio de Janeiro, pegava TODOS os gibis e depois os devolvia a banca recebendo 50% do valor na troca, só não devolvia os que colecionava, meus favoritos nesta época eram MAD e Tex Willer.

Claro que um dia tive minha própria banca de jornais, em Campo Grande no MS, sempre foi meu sonho, trabalhar no meio de gibis e mais gibis… mas sei lá, de repente parei de ler gibis, ainda curto quadrinhos e sempre que posso leio, mas o vício parou, não compro mais. Leio quando posso.

Eram gibis e livros, sempre fui um leitor voraz, até que de repente, cansei de ler coisas no papel e passei a me interessar mais pela tela.

Também desenhava, cheguei a ter meus personagens e até uma revista que fazia muito sucesso, mas prefiro nem citar. Era influenciado por grandes nomes de quadrinistas da Europa e também dos EUA, acho que dos europeus, por motivos que desconheço, curtia muito o trabalho do editor Sérgio Bonelli, que publicava estórias do velho oeste americano, mas lia tudo que conseguia.

Dos EUA, meu maior ídolo sempre foi Will Eisner , que cheguei a conhecer pessoalmente em um evento no Rio de Janeiro, para mim é o máximo em termos de quadrinhos. Já o lia sem conhecer, desde criança, mas só fui entender o que representou para os quadrinhos quando comecei a ler suas graphic novels. Verdadeiras obras de arte.

QUADRINHOS BRASILEIROS

No Brasil a lista é grande, começa lá nos gibis antigos de meu pai, com as histórias da Turma do Saci Pererê, desenhadas pelo Ziraldo, que também conheci pessoalmente e nunca lembrei de perguntar porque parou de desenhar o Pererê , até sei a história, primeiro por conta do golpe dos militares, depois voltou e não fez o mesmo sucesso. Mas queria saber por ele, afinal sempre teve cacife para bancar uma publicação sem depender de editoras, mas pode ser isso mesmo… as pessoas perderam sua inocência e pararam de gostar de algo tão legal quanto a turma do Pererê, que foi nada menos que a primeira HQ colorida do Brasil.

Esta eu li na época em que foi publicada, no mesmo jornal A Cidade, que citei no início do post, em Ribeirão Preto, SP. O próprio Maurício desenhava, a diferença e a evolução dos personagens são marcantes.

Maurício de Souza cresci vendo seus personagens se tornarem maiores que o próprio autor, considero perfeitos, mas assim como os personagens do eterno Walt Disney, perderam a graça (para mim) em algum momento.

Já o contrário – em termos de fama – aconteceu com o também excelente Daniel Azulay, que faleceu, recentemente, em Março de 2020, vítima do Covid-19, quando, aos 72 anos (que nem aparentava) estava ainda trabalhando e eu sempre acompanhando seus lançamentos, especialmente na Internet, sempre fui seu fã e admirador apesar do pouco reconhecimento que sempre teve pelo seu excelente e admirável trabalho.

Bom… se for falar de tanta gente que admirei pela capacidade de nos divertir com sua arte, nunca termino este artigo.

Então vou citar a cereja do bolo, meu preferido no Brasil, o eterno e inesquecível Henfil, cujos personagens tinham um estilo único e traço tão simples que eu os desenhava iguaizinhos e inclusive os enviei para o autor, em uma época que estava tentando vencer a hemofilía, doença que o levou justo quando estava no auge do reconhecimento pelo seu trabalho. Conheci o Henfil primeiro por seu livro, “Henfil na China”, uma obra que me fez ficar fascinado, pela forma como descreveu o pais, aos poucos fui conhecendo todo seu trabalho, me apaixonei pela Graúna e fui conquistando sua amizade. Esta edição autografada comprei direto com ele na primeira vez que o encontrei, muito rapidamente em uma feira, nem lembro onde, já tinha lido, mas queria uma assinada por ele.

Era um cara extremamente gentil, respondia minhas cartas e até me citou em seu livro “Cartas da mãe”, feito com as com cartas que escrevia quando lutava contra seu mal nos EUA, onde revolucionou os sindicatos norte americanos com sua ironia, sua impertinência. O Fradim só não foi proibido nos EUA porque não deu tempo dos norte-americanos entenderem o que representava. Eu sempre entendi, desde o primeiro Top-Top, que a gente nunca esquece.

A segunda vez que nos encontramos foi muito melhor, creio que foi em 77, eu era militar, no Rio, em plena ditadura e o cara me chama para ir na sede da Codecri, a famosa editora do jornal O Pasquim, um dos mais censurados e perseguidos na história da imprensa do Brasil. Subi a ladeira numa rua de Copacabana e achei aquele turma em um casarão velho, que turma, nem vou citar os nomes, porque vou esquecer alguns… adoraram um paulista com sotaque, dizendo porrrta e reco… felizmente naquele dia não organizaram uma batida no local, ou eu estaria preso ainda. Ao sair comentei com ele que faltavam algumas edições de umas revistas que ele publicava, o cara me levou para um porão da casa e mostrou uma pilha de encalhes do tamanho do mundo, falou que eu podia procurar levar o que pudesse carregar. Achei todos, mas tive que chamar um taxi para levar tudo e parti feliz com aquela muamba toda pro quartel… justo onde hoje funciona atualmente a sede do BOPE, no Leblon. Pensa no risco que corri. o livro, assim como uma coleção de parte de sua obra estão preservados porque foram digamos, “raptados” por minha irmã, Ana Paula Leitão, graças a ela estão (eu acho) guardados em algum lugar, nunca consegui preservar minhas coisas…

Dos caras todos que acompanhei, admirei e li diversas vezes, o que me parecia menos expressivo e não curtia seu trabalho era o OTA, inclusive cheguei a ir numa festa de aniversário dele, levado por um amigo comum, dele só sabia que era editor da MAD, revista que eu adorava, mas para ser honesto não gostava do seu trabalho, achava que destoava da revista, mesmo porque destoava mesmo, a MAD tinha um jeitão de ser todo dela e o Ota um jeitão dele, um traço único que aos poucos comecei a entender.

Hoje sou fã do OTA, começou também com uma espécie de livro, o cara foi caçar um dos nomes mais expressivos e desconhecidos dos quadrinhos brasileiros, nada menos que o Carlos Zéfiro, pseudônimo de um dos mais expressivos e conhecidos artistas de várias gerações, que em tempos da mais absoluta censura sexual foi o criador do “catecismo” um livretinho em formato A2, com desenhos pornográficos que eram a sensação nas escolas.

Alguém lembra da revista que citei mas disse que era melhor não citar, logo ali atrás? Então era influenciada diretamente pelos catecismos de Zéfiro e autores estrangeiros, como Milo Manara, Guido Crepax e outros que nem sabia os nomes, fora autores de romances clássicos da sexualidade, como “Perils of Pauline” que foi reproduzido em quadrinhos, filmes e até mesmo uma desconhecida obra impressa em mimeógrafo à álcool, que foi desenhada e “escrita” por um moleque de uns 15 anos, que chegou a ganhar dinheiro com isso, mas nunca pode contar pra ninguém. Devem ter sido uns 3 ou 4 livretos, altamente disputados no mercado negro.

EPÍLOGO

Tudo isso apenas para esclarecer porque agora a MS tem uma seção dedicada a humor & arte, mas nada é tão simples.

Na edição impressa tentei fazer isso, inclusive criei uns personagens, que eram computadores e periféricos falantes, que batiam papo em tirinhas com graça duvidosa (reconheço) mas Mauricio de Souza começou também com uns desenhos ruins, embora sempre tivesse um talento especial para os roteiros de humor, coisa que reconheço estar longe de meus talentos, mas dou meus tirinhos como nesta charge que fiz para o editorial de Maio.

E agora que não tem ninguém para me impedir, posso dizer que ainda não fiz porque queria começar com um cara bem representativo nesta área, o mesmo OTA que um dia nem achei tão engraçado, mas atualmente sei que a falta de talento era minha em reconhecer e venho tentando, faz algum tempo, trazer para a MS.

A boa notícia é que ele topou, já trabalha com computadores faz tempo e acho a ideia (alias ideias, há várias delas) interessante, mas ele precisa sobreviver e se comprometer com a MS não vai ajudar, mas o convite está lá, quem sabe um dia.

Até lá, vou fazendo eu mesmo, inicialmente com uma coleção de pérolas que venho colecionando há meses na Internet, mas sei que vão despertar a alma artística de leitores, que agora sabem que podem enviar seu trabalho para a MS.

A seção, por enquanto está em busca de um editor (como já falei, meus talentos são outros) e tenho certeza que terá mais que um em breve, porque esta é uma área muito ampla.

“Informática não é considerada uma arte, mas a considero como a união de todas as artes.” (DL)

Como falei, não sou muito bom com piadas, mas adoro criar frases.

Espero que gostem…

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