RD by DL

Qualquer dia teremos por aqui uma versão de RD por RD, esta versão é a visão do DL sobre o RD e antes de ter problemas mais sérios com tantas siglas…

  • “Vamos em frente… que atrás vem gente” (RD).

Conheci o RD ao mesmo tempo que conhecia a MS, primeiro parecia um super-herói, era “o cara” que escrevia aqueles programas muito legais e foi justamente um programa dele que me fez sentir que poderia escrever um programa, o “Aventuras na Selva”, publicado na edição 23 da MS.

Este programa, que depois viria a se transformar no icônico Amazônia, foi também minha iniciação aos adventures, um estilo de jogo onde o que vale mesmo é a nossa imaginação e dos quais virei fã, tanto que até hoje gosto de jogar ou criar adventures, a despeito dos fabulosos jogos existentes na atualidade, mas que colocam nossa imaginação sempre em segundo plano.

Me sentir disposto a criar meu próprio jogo fez com que eu o criasse e foi este jogo que me levou ao RD e posteriormente a MS… mas isso é outra história, que contarei um dia.

Por estas coincidências que ninguém explica o RD e eu tínhamos uma origem muito próxima, dois caipiras do interior de São Paulo que vieram parar no Rio de Janeiro, o que era para ser um relacionamento apenas profissional se tornou uma amizade e quando a vida nos levou para destinos diferentes voltamos a nos encontrar lá naquelas cidades, para onde acabamos voltando e até hoje não conseguimos nos livrar mais um do outro 😉

RD respira jogos. De todas as pessoas que conheci neste segmento é o único que nunca parou de produzir nesta área. Eu também não parei, mas jogo para mim sempre foi mais um hobby que qualquer coisa, o RD leva isso totalmente à sério.

Mais que criar jogos, ele cria ferramentas que ajudam a criar jogos, o “Aventuras na Selva” era mais que um jogo, era praticamente um curso que ensinava a criar um adventure e aos poucos foi desenvolvendo outras ferramentas que fizeram história, a maior parte deste material fantástico pode ser encontrada no site tilt.net, onde passou a concentrar seus trabalhos desde que deixou a editoria da MS.

O Amazônia é um programa que foi publicado em praticamente todas as linhas de computadores e eu mesmo ganhei do RD permissão para criar uma versão no Scratch, que uso para cursos de jogos, com o objetivo de ensinar a criar adventures em forma gráfica. É um jogo propositadamente incompleto, que vai sendo aos poucos atualizado pelos alunos e a única versão do Amazônia que não foi criada pelo RD, mas sou sempre fiel ao jogo original, permitindo apenas algumas mudanças na interface, mas as imagens do jogo são as originais, fornecidas pelo próprio RD. Voltarei a falar deste projeto em outra matéria.

Entre as ferramentas, a que mais me impressionou, ainda na década de 80, foi o editor “Graphos III”, um programa gráfico de altíssimo nível, criado para o MSX e que se tornou a melhor ferramenta para desenhar imagens da linha MSX, usado até hoje pelo pessoal que ama o MSX e mantém a linha viva.

Mas sua ferramenta mais impressionante foi o que hoje o RD chama de “Micro Aventuras”, um sistema de criação de jogos tão completo, que permite fazer qualquer estilo de jogo e que vem evoluindo sempre. O mais interessante é que o MA gera jogos que podem ser executados em qualquer navegador, se o sistema tem um navegador vai rodar um produto criado com o MA.

O MA é tão versátil que uma vez criei um sistema complexo de publicidade e premiação apenas usando o mesmo. Chamava-se Aventura Premiada, mas infelizmente nunca fui bom com negócios e a startup não funcionou, fiz um período de testes e cheguei a conclusão que era melhor parar antes de me comprometer com algo que – na época – pareceu maior que “meu focinho”. Mas nada impede de fazer de novo, já que o teste funcionou muito bem.

 

As parcerias com o RD renderam muitas coisas interessantes, começou na MS, onde me convidou para um dos empregos que mais gostei de ter e espero que continue até um de nós deixar este mundinho incerto. As coisas acontecem meio que por desafios que fazemos um ao outro, mas cada um tem seu estilo de trabalhar no modo Lone Ranger, então são parcerias difíceis de manter, mas sempre são interessantes e nos levam a novos desafios.

Uma das parcerias que gosto de lembrar foi quando desafiei o RD a criar um jogo que eu pudesse usar numa Lan House que eu mantive por uns tempos. Eu queria algo que não existia na época, um jogo que funcionasse apenas dentro da LAN e assim nasceu o “Lan Strike”  um joguinho infantil, inspirado no Counter Strike, mas que usava carrinhos de combate e tinha fotos dos jogadores na tela, que iam levando tomatadas no rosto conforme acertavam os adversários. O jogo era genial, pois misturava vários estilos de jogo e era muito personalizado. Lembro que na estreia dele, chamei uma garotada para testar o programa e só sairam quando mandei todo mundo embora, depois de horas de jogatina e muita diversão. Pensamos em fazer uma versão mais profissional dele, mas o desafio já tinha sido satisfeito, o RD criou todo o sistema em praticamente uma tarde de trabalho, mas para ficar um jogo profissional teríamos que investir muito mais tempo, que não tínhamos, na época.

Outro jogo legal foi um gerenciado de RPG, que o RD também criou em poucos dias e ficou muito legal, com ele dava para mestrar partidas de RPG à distância e chegou a fazer parte do acervo da TILT, mas acabou descontinuado, talvez por falta de bons mestres. O jogo sorteava os dados em tempo real e permitia ao mestre criar todo o ambiente, cheguei a mestrar alguns jogos muito legais, que renderam muita diversão, lamento que não tenha mais, ainda seria um excelente produto e acredito que hoje tenhamos mais mestres por ai, capazes de fazer uma campanha legal… jogador sei que não falta, eu mesmo adoraria participar de uma campanha apenas como jogador. Nem lembro o nome que demos ao sistema, mas era bem legal. Espero que um dia o RD se anime a relançar o produto.

O que acho mais bacana no RD é que ele não se contenta em fazer jogos legais, seu jeitão é mais para ensinar a fazer e propiciar as ferramentas. Meu primeiro contato com ele foi justamente em um curso de jogos, provavelmente o primeiro do Brasil, promovido pela Ciberne e do qual fui um dos alunos. Foi um curso genial e praticamente todos que participaram fizeram algo interessante depois, em termos de jogos, embora cada um tenha partido para outras profissões, pois nos anos 80 não era fácil viver de jogos, hoje até é algo mais realizável, mas naquela época era tudo uma grande brincadeira.

Quando fez a TILT, RD teve inúmeros alunos e lá promovia cursos fantásticos, em diversas linguagens, sendo que por algum tempo DELPHI foi a preferida, até que RD entendeu que o legal seria fazer coisas na Internet, que fossem compatíveis com qualquer máquina e mistura, provavelmente como ninguém, todo o conhecimento adquirido nestes trocentos anos, o cara dominou as linguagens de computador mais salgadas do planeta e criou a sua própria, o MA é uma linguagem de programação, mais fácil de aprender do que BASIC.

Como amigo é um cara ainda mais legal, moramos em cidades diferentes e os encontros ficam cada vez mais raros, mas quando acontecem é como uma maratona das séries preferidas, esquecemos da vida. O mais bacana é que em termos de personalidade somos como cão e gato, aparentemente inimigos naturais, mas é aí que está a beleza de tudo, sinto que sempre que unimos forças, completamos as lacunas.

Ainda pode rolar muita coisa, pois temos praticamente a mesma idade e compartilhamos esse vício de criar e criar, que provavelmente vamos manter até o game over que nos espera sempre em alguma curva.

As vezes eu paro e pergunto a mim mesmo porque insisto em manter esta pálida versão da antiga MS impressa, dá um trabalho danado, não me rende nada (na verdade tem custos) e sempre que fico em dúvida se vale a pena seguir me lembro que para mim, manter essa ideia ativa é uma homenagem a este amigo, que felizmente posso fazer enquanto estamos vivos.

A ideia deste texto não foi apresentar o RD, foi mostrar como eu o vejo. Seu interesse pela MS faz tempo deixou de ser prioridade, mas assim como seu trabalho jamais me deixou esquecer que gosto de fazer jogos, fico na esperança que ele também não esqueça de como é bom fazer uma revista, seja on line ou impressa e seu lugar como editor da MS está guardado, caso queira sentar de novo na sala de comando da Enterprise. E eu estarei sempre disponível para ser o co-piloto.

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Sobre Divino C. R. Leitão

Safra de 57, um cara das artes, professor e coordenador do CPD da MS. Desde sempre!

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