FELIZ DIA DAS MULHERES

FELIZ DIA DAS MULHERES

08/03/2021

É dia delas, de nossas mães, nossas esposas, filhas e amigas, estas maravilhosas mulheres, sem as quais o mundo seria bem mais chato, para não dizer irritante 😉

Pensando em homenageá-las, a #MSDB deixou os quadrinhos com piadinhas de lado e fez uma homenagem a uma parte delas, que quase sempre fica escondida, no caso… Mulheres que criam jogos. Clique no botão para ver …

Veja aqui o #MSDB

Já na imagem em destaque, algumas moças que se destacaram em áreas importantes, que perduram até os dias atuais, mas não tem o destaque que merecem na história. Sem contar as que fizeram muito em áreas correlatas e sequer tiveram seus nomes lembrados, mas sabemos que estão lá.

Como sempre, elas fazem muito bem seu trabalho, basta olhar os poucos exemplos dados e se perceberá que elas estão mais que presentes em um universo tão dominado pelos homens.

ROSINHA

No final de 1988, aconteceu uma reviravolta em minha carreira. De programador de jogos — em micros de 8 bits — aceitei um trabalho em uma empresa, onde finalmente passaria a trabalhar na programação dita “comercial”.

Até então eu só tinha utilizado computadores domésticos de 8 bits. Já conhecia os PCs, nem tinha dinheiro para comprar um, mas para ser bem honesto, não estava muito interessado. Nesta época os melhores PCs eram os 286, ainda com telas em duas cores e não me pareciam valer o que custavam.

Era bem mais feliz com meu MSX, meus TKs e já tinha em minhas mãos um Amiga 500, que — naquela época — deixava qualquer PC “no chinelo”.

Mas o salário era bom e o desafio era interessante, tanto que após a entrevista, meu futuro chefe me colocou nas mãos um enorme manual de COBOL e falou que eu tinha a noite inteira para aprender.

Ele não estava brincando… fui para casa, abri aquela “bíblia fortificada”, fiz uma garrafa de café e me preparei para perder uma noite, eu queria o emprego.

Já nas primeiras páginas, percebi que COBOL é apenas um BASIC mais metido a besta e que a maior diferença estava em declarar tudo que fosse ser utilizado. Obviamente não era bem isso, mas eu queria mesmo era ir dormir.

No dia seguinte fui lá e já me colocaram na frente de um terminal de um IBM “qq-coisa” e fiquei lá, olhando para a tela e ela olhando para mim, sem chance sequer de saber como ligar aquilo.

Ao meu lado a Rosinha, uma loirinha linda e extremamente simpática, percebeu minha situação e me ensinou, tanto ligar o terminal, quanto os primeiros passos para criar um programa.

Eu tinha “amigos” na empresa — foram eles que me chamaram para o emprego — só que apenas se reuniram lá fora do “aquário” e ficaram rindo da minha parvice, na frente de um terminal. Enquanto a Rosinha, que eu nem conhecia, simplesmente resolveu o problema.

Nem lembro qual foi o primeiro programa que fiz em COBOL, sei que era algo para converter a moeda da época em dólar e fiz o treco direitinho, funcionou e quando o chefe falou que iria colocar no sistema das lojas eu gelei… mas deu certo e ele dise que eu estava contratado.

Foi nesta empresa que comecei a usar PC, especialmente com planilhas, no tal Lotus 123, que eu só conhecia de nome. Ficava lá depois de meu horário, futucando. O CPD funcionava 24 horas e a noite sobravam computadores. Em pouco tempo deixei de ser programador de COBOL e passei a lidar com sistemas financeiros e logo em seguida conheci as manhas dos DeskTop Publishing.

Provavelmente fui o primeiro usuário brasileiro do Ventura, sei disso porque chegou um lá, com um “novíssimo 386 e não existia um curso no pais, tive que aprender sozinho.

A empresa era a Chocolate, uma famosa grife de roupas femininas com lojas espalhadas por todo o Brasil e que tinha uma característica bem interessante: a maioria dos funcionários da empresa eram mulheres, praticamente em todos os departamentos havia mais mulheres do que homens.

Exceto no CPD, lá só tinha a Rosinha e como era tímida, o pessoal vivia fazendo bulling com ela.

Ela era a melhor de todos, não tinha problema que ela não resolvesse e enquanto os caras estavam sempre reunidos em algum lugar contando piadas, a Rosinha estava ralando e sempre os maiores “pepinos” iam parar nas mãos dela.

Quando programava em COBOL ficávamos só nos dois na sala refrigerada do “trambolhão” que a empresa usava e ela ajudou a resolver muitas encruzilhadas, que encontrei no caminho.

Mesmo depois que fui para outros departamentos continuamos amigos e a última vez que a vi foi por mero acaso, num trem do metrô, no Rio. Ela não era de frequentar redes sociais e logo nos perdemos.

Mas lembro bem dela, de sua eficiência e conhecimento, sabia mais que todos os caras dali e obviamente ganhava menos, ganhava até menos que eu — que entrei depois dela — e fizemos o mesmo tipo de trabalho por uns tempos. Era uma clara e evidente discriminação.

Mas ela sempre estava feliz, a única coisa que a “tirava do sério” era quando a galera sacaneava seu marido, por ser meio careca. Os caras não perdoavam e o próprio sacaneado nunca se importou, mas a Rosinha não gostava. Uma vez chamei a atenção dos caras, perguntei se não percebiam que aquilo a incomodava de fato e porque mesmo assim faziam… Reduziram um pouco, pelo menos pararam de fazer na frente dela 🙂

Numa empresa onde a maioria das pessoas que mandavam eram mulheres, a única mulher programadora e muito eficiente no seu trabalho, era justamente a que tinha menos respeito, exceto do chefão. Este sabia o quanto ela valia, mas nem por isso me lembro de te-lo visto fazer algo em seu benefício.

Eu mesmo sai da empresa porque o que considerava um salário excelente no início, logo percebi que era pouco, pelos meus conhecimentos e dedicação. Até porque aprendi a lidar com uma série de outras coisas e quando pedi aumento, não recebi. Então fui procurar novos desafios.

O “chato” é que em menos de uma semana já tinha um novo trabalho, com o dobro do que ganhava… nem deu para folgar um pouco.

Foi uma boa experiência, porém o melhor foi conhecer esta moça, muito tímida, mas alguém que um dia eu gostaria de ter contratado e principalmente tratado melhor.

Acho que ela ficou na Chocolate até a empresa se desfazer…

Conheço — de nome, claro — muitas mulheres que se destacaram na informática, desde Ada Lovelace até algumas mais recentes, como Sheryl Sandberg, a toda poderosa diretora de operações do Facebook, que provavelmente manda mais lá do que o próprio Zuckerberg e se não mandar, certamente sabe mais que ele de informãtica.

Gosto de lembrar e conhecer aquelas maravilhosas “gênios” de saias, que arrasaram na missão Apolo — mas só foram reconhecidas depois de muitos anos — ou das primeiras programadoras do ENIAC, sem esquecer minha chefe na MS, Alda Campos, com quem aprendi muita coisa, e claro a especial Rosinha, que olhou pra minha cara de burro na frente daquele terminal ainda mais burro e sem maiores delongas, foi lá e me mostrou como se liga e como se começa um programa em uma linguagem que eu nunca tinha visto antes.

É assim que gosto de ve-las, de percebe-las… não como mulheres “diferentes” que se destacam em uma atividade que os homens “pensam que dominam”, mas que elas — quando querem — dominam muito mais e evidentemente não é o único lugar em que fazem isso.

Parabéns a vocês, por um dia que deveria ser ao contrário… deveria ser dos homens, porque todos os outros são seus.

E para fechar a matéria, fica uma pergunta…

Quem nasceu primeiro o software ou o hardware?

A resposta será dada se ninguém acertar nos comentários, mas não basta dizer a resposta, tem que justificar.

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