BORA? RALAR DURO?

Este ano a MS trará algumas novidades, que na verdade não são exatamente “novidades” mas um retorno ao passado, quando projetos fantásticos aconteceram, mas por características da época (como não existir Internet) ficaram limitados as páginas impressas.

Vamos começar o ano de 2021 com 3 projetos de criação, um voltado para o público infantil, que era boa parte do público da MS nos anos 80 e os outros dois, para devs, não exatamente “programadores” mas  todas as pessoas envolvidas com o desenvolvimento de um jogo.

Pouca gente sabe, mas um dos primeiros cursos de desenvolvimento de jogos que aconteceu no Brasil (provavelmente o primeiro) foi criado pelo nosso RD, com o apoio da Ciberne, uma Software House, como a gente chamava na época. Fui um dos alunos e boa parte dos outros já fizeram algo significativo no cenário dos jogos do Brasil e alguns deles vocês vão poder conhecer no documentário “Loading, nossos primeiros jogos de computador“. (DL)

O projeto para crianças e jovens vai se chamar “Cavernas de Marte” que foi o primeiro jogo deste seu eterno coordenador do CPF e envolve o app Scratch, um sistema de criação de jogos, que utiliza blocos de construção para criar aplicativos de diversos tipos, especialmente jogos.

O Scratch é um produto do MIT, a famosa “universidade dos gênios” e sua finalidade é justamente permitir o uso da computação com finalidades educativas e muito, muito divertidas. Vamos começar do zero, porém aproveitando o vasto material que já existe para este sistema.

Nosso primeiro jogo no Scratch será uma versão do “Cavernas de Marte”, com todo o processo de criação detalhado e voltado para as crianças. Serpa em formato EAD, com aulas que vocês poderão acompanhar aqui na MS.

O outro projeto, este voltado para um público mais especifico terá o mesmo tema, ou seja “Cavernas de Marte” mas desta vez com uma abordagem muito diferente, pois será um adventure, usando o Gênesis como base. Se você quer entender todo o processo de criação de adventures não pode perder essa. Neste projeto, tudo vai acontecer dentro de um grupo do Facebook, com artigos publicados aqui na MS, com um resumo das atividades, o grupo já está pronto e funcionando desde Novembro de 2020, mas os trabalhos vão se iniciar provavelmente apenas em Fevereiro, pois há muito material ainda a ser preparado, mas você pode já se inscrever no grupo e ir acompanhando o processo desde cedo. Bom lembrar que este projeto será coordenado também pelo RD, criador do Gênesis e pelo pessoal da Bitnamic Software. Clique na imagem para acessar o grupo.

Já o terceiro projeto é bem mais interessante e será apresentado por último, trata-se da formação de diversas equipes que irão trabalhar na construção de um jogo que vamos apresentar posteriormente, mas posso adiantar que será um trabalho inédito, inclusive porque o mesmo jogo será criado para equipamentos antigos e também os mais modernos, incluindo realidade virtual e realidade aumentada, misturando jogos de cartas com jogos de tabuleiro e claro… jogos em vários tipos de computadores.

Este jogo foi planejado logo no início deste século e foi produzido para ser um jogo de cartas, ao estilo Magic The Gathering, porém dificuldades orçamentarias impediram que fosse produzido como deveria e embora tenha gerado um jogo bem mais simples, no estilo “Super Trunfo” a ideia era que as cartas para Trunfo gerassem capital para fazer o jogo completo, do qual elas fariam parte, mas as vendas não foram o que se esperava.

As cartas de “Batalha Espacial” foram impressas em 2001. Foram 5 mil decks produzidos e destes, pouco mais de mil foram vendidos, o que ficou e que no jargão das editoras é chamado de “encalhe” normalmente é descartado, mas estas cartas foram guardadas com bastante cuidado e estão para serem relançadas no mercado e talvez cumpram seu objetivo inicial, que era justamente, gerarem recursos para fazer o jogo completo.

Cada projeto tem o objetivo maior de mostrar como se formam e se gerenciam equipes para produzir jogos de computador ou de qualquer tipo.

Este tipo de atividade não é novo para este escrevinhador, em 1999 promovi um workshop de criação de jogos, em conjunto com alguns amigos e provavelmente foi o primeiro curso de EAD voltado para esta finalidade no Brasil, tanto que tudo teve que ter cada atividade criada do zero, já que o próprio EAD ainda era uma novidade nesta época. O curso foi termnado, um pouco aos trancos e barrancos, já que estava previsto para um mês e acabou levando 3 meses, com direito a uma interrupção para o carnaval, mas conseguimos finalizar, houve festa de formatura, com direito inclusive a apagão no dia (lembram do apagão de 11/03/1999?) da festa.

Este primeiro curso envolveu mais de 15 pessoas apenas na organização, alguns do exterior do pais e a turma que se formou foi de 27 alunos, bem perto do que o projeto pensou, que era de 30 alunos.

Para nossa surpresa, houve mais de 2700 inscritos no curso, a partir de um único anúncio similar a um destes de classificado, no caderno de informática do jornal O Globo. Na manhã em que o jornal circulou, por volta das 6 horas da manhã,  já havia mais de 100 inscritos, só de pessoas que viram a versão digital, que saia na madrugada, antes da versão impressa. Isso me obrigou a colocar um aviso de que as inscrições estavam encerradas para este primeiro curso, mas continuaríamos a aceitar inscrições, para uma fila de espera, de novos cursos. Nossa previsão era de no máximo 30 interessados, nunca se imaginou chegar a quase 3 mil.

Outros cursos foram realizados, porém nenhum com toda a preparação gerada por este, ou uma equipe tão forte, que incluia experts em várias áreas da criação, pessoas ligadas a roteiro, cinema, animação, produção sonora e artistica, especialistas em 3D, professores e muito mais, além, evidentemente de especialistas em criação de jogos.

Deste evento resultou a criação de um adventure, por escolha dos próprios participantes, que votaram no estilo de jogo que seria feito. Infelizmente este material se perdeu, seria ótimo poder apresenta-lo neste momento.

Vivemos outros tempos, hoje existem faculdades especializadas em jogos e metodologias bem complexas para a criação, a figura do programador solitário que fica anos trabalhando para produzir um jogo é raríssima, embora ainda exista. Quem quer produzir jogos nos dias atuais precisa aprender a trabalhar em equipe e a figura do GD (Game Designer) é essencial, porém tão importante quando qualquer elemento da equipe, inclusive os encarregados de colocar o produto no mercado, justamente para não ficar 20 anos com um produto armazenado e aguardando um momento de vender 😉

Nosso objetivo com estes projetos é demonstrar processos de como trabalhar no desenvolvimento, a parte comercial é algo que trataremos em separado, embora em um produto para conquistar o mercado pode vir até mesmo antes da produção, mas é uma parte em que não existem garantias, grandes produções não obtiveram o sucesso esperado, embora tenham sido feitas seguindo o manual… se é que existe um, de fato.

Os eventos são para todos os níveis, desde o principiante, que apenas sonha em criar seu primeiro jogo (incluindo aí as crianças e principalmente elas), passando pelo expert que possa já ter produzido seus jogos e quer compartilhar seu conhecimento e naturalmente privilegiando profissionais cujas atividades não sejam exatamente a de criar jogos, porém suas especialidades são importantes na criação, ou seja, artistas de diversas artes, escritores, criativos, assessoria de imprensa e até mesmo a importantíssima moça do cafézinho.

Nós pretendemos vamos unir estas especialidades e fazer alguns jogos e mais que isso… quem sabe vender?

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