A CHEGADA

Parte 2 de 12 da série BGS 2019

INICIANDO A AVENTURA

Após uma tranquila viagem, que se iniciou de “busão”, em Araraquara, SP, as 6 horas da manhã, chego ao terminal Tietê, por volta de 11 horas e localizo – com alguma dificuldade – o ponto de embarque para a BGS. Muitas pessoas estavam indo para lá, de diversas origens, era fácil de reconhecer pelo kit “vou a feira”, sem contar alguns cosplayers já caracterizados, que não sei se viajaram assim ou se trocaram no banheiro da rodoviária 🙂

O setor de informações do terminal sabia do que se tratava, mas deu a informação incompleta, que me levou primeiro para uma saída, onde tive que pegar elevador e só ao chegar lá embaixo soube que o ponto de embarque ficava do outro lado de várias avenidas e que eu deveria ter ido pela estação do metrô. Não seria demais a moça do setor de informações ter dito isso, não só omitiu como me indicou os elevadores. Certamente não explicaram corretamente a ela onde era efetivamente o ponto de embarque.

Alcançado o local, percebo a fila gigantesca e em volta, um monte de pessoas oferecendo “perueiros” alternativos, para levar a BGS, obviamente particulares. Tive que recusar alguns com mais veemência, já que tomavam a liberdade de ir empurrando a cadeira para o local de sua preferência. Lembrando que local não é muito seguro, mas faz parte dos problemas de uma metrópole como São Paulo. Meu conselho é que as pessoas evitem ir desacompanhadas, em grupos evita-se confusão mais facilmente.

O fato é que consegui chegar ao ponto de embarque, sem maiores problemas.

Divino Leitão, Coordenador de Editorias da revista Micro Sistemas, que se auto-incumbiu de cobrir uma das maiores feiras de tecnologia do Brasil.

O PONTO DE EMBARQUE

Uma rua estreita, muito movimentada e havia um ônibus grande. Na condição de PCD, tomei a liberdade de ir para a frente da fila, onde me informaram que havia uma van especial para PCD, porém estariam em horário de almoço. Caso eu pudesse subir no ônibus, me levariam.

Eu podia, a cadeira foi para o bagageiro e em alguns minutos estava na feira, lugar que causava espanto pelo tamanho e movimento e nem tinha começado ainda.

Graças a gentileza dos responsáveis por organizar o transporte gratuito para a feira, que, para mim, funcionou muito bem. um dos organizadores conduziu a cadeira de rodas até a entrada principal da feira. Com isso foram vencidos facilmente os diversos obstáculos.

Devo observar que todas as rampas de acesso estavam em ótimo estado e a sinalização bastante ampla. Somente a distância e trânsito muito pesado poderiam atrapalhar, mas somente a um cadeirante ou qualquer pessoa com dificuldades de locomoção, para quem estava devidamente preparado para uma feira deste porte não havia qualquer problema.

Agora era só comigo… logo de cara vi diversos cadeirantes, que depois descobri serem auxiliares contratados pelos organizadores e isso me deu uma confiança maior de que a aventura ia dar certo.

A última feira que cobri desta forma, foi a FITIC, em 2016, quando ainda tinha as duas pernas. Desde então achava que não seria mais possível fazer este tipo de trabalho, mas me animei a vir e tentar e acretido que valeu muito a pena.

MISSÃO DADA, MISSÃO CUMPRIDA

Todos os textos sobre a BGS estão organizados em uma série de artigos sequenciais, que serão publicados conforme forem sendo finalizados. Eles se referem a cada lugar que consegui visitar e os detalhes e impressões, de um calejado repórter de muitas feiras de informática, mas nunca com todas as atuais dificuldades.

Em Maio de 2019, já tinha feito uma viagem a Sampa, sozinho. Na ocasião consegui resolver uma pendência que tinha em “Sampa” e também participar de uma entrevista para o documentário Loading, e tudo deu muito certo, com a experiência resolvi enfrentar um novo desafio.

Pode parecer que é algo simples de fazer, mas não é bem assim. Se as cidades fossem melhor planejadas, talvez um cadeirante pudesse ter vida mais produtiva e com mais qualidade, mas muitas vezes, vencer uma simples rampa pode ser um obstáculo intransponível, como aconteceu justamente no acesso do metrõ de São Paulo, no Terminal Tietê. A rampa que tem lá é impossível de ser vencida sem ajuda e não deveria, não em um local com tanto movimento e tantas pessoas indo e vindo e justo na que deve ser a maior rodoviária do pais.

Atualmente já estou usando prótese e isso facilita alguma coisa, mas não diminui a quantidade incrível de obstáculos que se encontra pelo caminho. O que vale nisso tudo é o sentido de solidariedade que a maioria das pessoas ainda tem, embora algumas deixem muito a desejar neste quesito. O mais cruel é que costumam ser justamente as que teriam obrigação de estar ali para atender e servir.

No próximo capítulo o impacto da feira em alguém que estava longe faz tempo…

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