ORGANIZAÇÃO

Parte 6 de 12 da série BGS 2019

ORGANIZAÇÃO

A despeito dos balcões de informação que pouco informavam, como já citei em algum capítulo anterior, Tudo o mais estava funcionando de uma forma que parecia até impossível, dado as dimensões do lugar e quantidade absurda de gente e acredito que fui num dos dias de menor movimento e num horário que não era de pico.

Na condição de cadeirante, encontrei facilmente o ônibus que levava os visitantes da estação Tietê até o local da feira, GRATUITAMENTE. Para não dizer que foi perfeito, a van que devia estar ali para levar os cadeirantes tinha parado para almoço. Sei que as pessoas precisam comer, mas pararam em um horário bem ruim para quem chegava, especialmente de outras cidades e queria aproveitar a feira. Porém tive toda a atenção do pessoal que gerenciava os ônibus grandes que também faziam o transporte. Como posso subir sozinho no ônibus, colocaram minha cadeira no bagageiro e fui sem qualquer problema.

Chegando no local do evento, um prestativo rapaz que apoiava o transporte empurrou a cadeira até a porta de entrada, pois o lugar é grande, tem muito trânsito e mesmo com tudo muito bem sinalizado – inclusive as necessárias rampas de acessibilidade – não seria tarefa fácil vencer sozinho todo o caminho até a entrada.

Ponto para a empresa que cuidou dessa parte. Inclusive na volta a tal van acessível estava lá, firme e forte. Precisava de uma suspensão melhor e fui chacoalhando como uma bonequinha havaiana até o terminal rodoviário, mas estava seguro, com a cadeira bem ancorada por cintos de segurança. Chegamos rapidamente ao terminal Tietê. Serviço adequado e atendimento com cortesia.

O mesmo não encontrei na estação do metrô, uma senhora com “ares de chefe”, mas educação de troglodita, deixou a desejar e embora nada tenha a ver com a BGS é curioso contar sua lamentável participação em minha epopeia, para participar da feira.

FUNCIONÁRIOS DO METRÔ DEIXAM A DESEJAR

O elevador do metrô não indicava muito bem que havia um mezanino entre o andar térreo e o de embarque, então busquei o que parecia ser um guichê de atendimento ao público, para pedir informações. Primeiro a distinta senhora, insistiu em dizer, por duas vezes – como se falasse com um imbecil – que ali era o local de embarque. Como se eu já não tivesse notado isso. Insisti que desejava atravessar para o outro lado, para alcançar a entrada do terminal rodoviário e que já havia pego o elevador, mas não estava entendendo por onde deveria passar.

Ela me informou que elevadores sobem e descem, mas não andam na horizontal, disse exatamente com estas palavras e enquanto eu pensava numa resposta adequada, uma faxineira que estava no local me disse… moço, o senhor volta ao elevador e aperta o botão mezanino que estará no corredor que leva ao terminal de embarque.

Agradeci a gentileza e sapiência da faxineira, que vale mais que a tal dona com “cara de chefe” e saí de lá com a preciosa e nova informação que elevadores sobem e descem, adicionada de outra pérola, que eles não “andam” na horizontal.

Na verdade andam sim, já vi elevadores horizontais, que nem deveriam ter este nome, mas provavelmente tem, porque conseguem se locomover e transportar pessoas nos dois eixos. Inclusive tem um no jogo Half Life.

Talvez ela fizesse melhor se providenciasse o conserto do botão mezanino, que estava mal iluminado e praticamente não o vi, portanto subi direto do andar térreo para o 1, como costumamos fazer em elevadores, nem notei que tinha o 1/2, de mezzanino,  bem ali, quase na minha frente 🙂

E mais a frente, foram os guardas do metrô que pisaram na bola. Estavam em uma alegre conversa entre sí e fiquei aguardando, para pedir que um deles me ajudasse com a rampa, muito íngreme, que leva ao terminal Tietê. Enquanto eu aguardava, educadamente, que me dessem atenção, um um passageiro foi bem mais solícito e prestativo e me fez a gentileza.. Deixamos os guardas lá, continuando com sua animada conversa.

Ainda bem que não precisei usar o Metrô… não tenho sido muito feliz com a acessibilidade do Metrô de Sampa, que devia ser um exemplo disso… mas #SQN.

Em Maio, tive que ir a Sampa, e vale narrar a triste experiência que tive na estação da Sé, provavelmente a maior de todas em Sampa.

 Ao usar o elevador que serve a PCD, fiquei abismado com a situação do mesmo, você sai de uma estação limpa e encontra um elevador que perde para o mais sujo banheiro da rodoviária ou boteco mais imundos do país.

A bem da verdade a “culpa” não é exatamente do metrô, mas da cambada de vagabundos que faz ponto ali na praça da Sé e acha que o elevador é um sanitário. Defecam e urinam lá dentro direto e provavelmente cansados de limpar, os metroviários desistiram e deixaram o local entregue a estas pessoas que não são exatamente modelos de civilidade.

“Parabéns” direção do metrô de Sampa, vocês são totalmente incompetentes.

VOLTANDO AO QUE IMPORTA

Mas o que nos interessa é a organização da BGS. Após ser deixado bem na porta de entrada, me dirigi ao credenciamento de imprensa e fui muito bem atendido, em segundos estava com a credencial e passei rapidamente pelas vistorias e etc, até estar dentro da feira… onde parei por alguns instantes para curtir aquele clima que faz tempo não experimentava.

Recordei imediatamente uma feira lá no Riocentro, nos idos do século passado, onde o som da música tema de Star Wars se sobrepunha a todos os demais, para anunciar o lançamento de Rebel Assault, um jogo marcante e que definiu a entrada da série Star Wars, no mundo dos jogos, para nunca mais sair. Muitos odeiam o jogo, mas reconheço sua importância para a Lucas Arts.

Precisei então baixar o app da BGS, que já tinha baixado antes, mas por alguma razão desconhecida não entrava, desta vez deu certo e a primeira coisa que fiz, foi solicitar o mapa, para me localizar e encontrar os lugares onde pretendia ir primeiro, aquilo era um outro planeta e grande, muito grande.

Apesar do programa entrar, o mapa não carregava. Não sei se foi minha TIM ou algum problema com os servidores, o que sei é que fiquei sem mapa. Só bem depois, descobri que tinha um na revista que entregaram a todos na entrada da feira.

Apesar da boa sinalização, a BGS é um labirinto e demorou para eu me localizar, a cada salão que entrava me assustava ainda mais com o tamanho do lugar e imaginava que não conseguiria me virar ali dentro, mas depois de algumas voltas já sabia quais caminhos seguir para ir de um ponto para outro… só me perdi mesmo procurando um estande onde pretendia ver o RD palestrando, o resto eu achei… ou fui achado 🙂

Os locais de alimentação tinham boa variedade de opções, os bebedouros funcionavam (já fui em feiras, onde simplesmente não existiam) e apesar de ver um banheiro para PCD fechado para “manutenção”, havia muitos outros e consegui usar o banheiro normal sem problemas.

Procurei, mas não encontrei, uma opção para fornecimento de cadeiras de rodas, pretendia perguntar se tinha, mas não me lembrei. O que vi foram muitos cadeirantes trabalhando no atendimento ao público, mais um ponto para a organização.

Uma dica: façam um acordo com um fabricante e coloquem cadeiras motorizadas, pois mesmo para quem tem quem conduza a cadeira é um trabalho duro encarar todo o trajeto. Tentei alugar uma, mas não encontrei nenhuma empresa na cidade que o fizesse.

ACESSIBILIDADE, #SQN

Sabia que havia uma sala de imprensa, onde poderia usufruir de Wi-fi – algo que senti falta em uma feira que respirava tecnologia – Havia várias empresas de telefonia, no entanto nenhuma se dispôs a fornecer Wi-fi gratuito para os visitantes, tampouco os organizadores e isso entendo que foi um tiro no pé. Já que muitas coisas poderiam ser feitas, inclusive um sistema de GPS local, para facilitar a movimentação das pessoas.

Fica a dica, para os próximos eventos, quem sabe em 2020 já tenhamos até o 5G funcionando.

Quando encontrei a entrada para a sala de imprensa fiquei decepcionado. O acesso era por escada rolante. Até poderia pedir para alguém ajudar, mas tenho experiências negativas com pessoas me empurrando em escada rolante e é perigoso. Então deixei pra lá e sequer fui visitar a sala de imprensa.

Depois soube que tinha dois elevadores, mas estavam em local não visível, sem sinalização, que – a rigor – deveria existir lá nas escadas rolantes. Sendo assim, abri mão de ver o local que reservaram para a imprensa, ouvi dizer que era legal, mas de que adianta ser legal se a acessibilidade não está presente, clara e muito bem sinalizada?

E aí vem outro ponto crucial, a maior parte dos estandes, salvo o das grandes empresas – porém faltando mesmo em algumas destas – simplesmente ignoraram esta questão. Quero lembrar que 10 ou 15 centímetros de altura, podem impedir um cadeirante ou pessoa com baixa mobilidade de acessar o local. Uma rampa não é algo tão difícil de fazer em lugares assim.

Em eventos futuros, seria interessante que a organização do evento OBRIGASSE os expositores a colocar as rampas, já que sozinhos não foram capazes. Lembro também que existem leis bastante claras, sobre isso, faz parecer que a prefeitura fechou os olhos para este fato.

Pensei até em fazer uma lista das empresas que não providenciaram rampas para acessar seus estandes, mas desisti ao perceber que eram a maioria e não seria justo citar apenas algumas e deixar outras. Além disso, não estava ali para isso, se fosse fazer, teria que gastar todo meu tempo só para anotar as empresas que ignoraram a acessibilidade.

De minha parte, o que fiz foi ignorar tais empresas, assim como abri mão da sala de imprensa. Se não ligam para esta condição, não há porque lhes dar atenção. Nota zero para as que se esqueceram de algo tão básico quanto acessibilidade, volto a este assunto mais a frente. #FicaADica…

No mais, parece-me que – pelo menos neste dia – tudo funcionou bem. Não é o caso de “dar nota” para os organizadores, sei bem que um evento deste porte não é simples de gerenciar. Foi possível notar o esforço para fazer o melhor, então que fiquem com minha aprovação, mas não meus parabéns, já que se fechou um olho para coisas muito importantes, isso faz a balança descer.

Não foi só na BGS, o Brasil inteiro precisa entender que tornar os locais acessíveis é mais do que cumprir uma lei, é uma questão de cidadania, mesmo porque não são apenas as pessoas com alguma deficiência que precisam deles, as pessoas idosas precisam, a mãe de qualquer um de nós precisou quando nos carregou no ventre ou no carrinho. Qualquer um que se machucar levemente fica temporariamente na condição de PCD, então é preciso, de uma vez por todas que se aprenda mais sobre empatia, que é o dom de saber se colocar no lugar de outras pessoas, imaginar-se na condição delas.

Hoje mesmo, antes de vir finalizar esta matéria estive em um local que parecia uma cena de “Além da imaginação” uma loja de equipamentos para PCD, cujo banheiro não é acessível, minha cadeira não passava na porta, não tinha onde segurar, o vaso não era adequado… Poxa, numa loja de equipamentos médicos é algo que não devia ser aceito e mais, são revendedores de uma das maiores marcas de cadeiras do Brasil. Deixei clara minha insatisfação ao proprietário, que deu as desculpas de sempre, e vou comunicar o fato a fábrica, que permite este absurdo em uma sua credenciada. Neste fim de semana fui a um novo restaurante, inaugurado há pouco tempo, um lugar lindo e agradável, porém quando chego no banheiro percebo que se estivesse com a cadeira não poderia entrar. A proprietária me informou que estão com o projeto de um banheiro acessível na prefeitura… na minha opinião a prefeitura não deveria sequer deixar abrir nestas condições, mas deixa… e fica tudo por isso mesmo.

Me encontro na condição de PCD desde junho de 2018, quando perdi uma perna devido a complicações com diabetes, mas muito antes disso uma mocinha chamada Tavane, que tem 28 anos de idade e uma grave deficiência cerebral já tinha me feito perceber que o mundo está longe do que podemos chamar de uma sociedade onde as pessoas deixem de se preocupam apenas com elas mesmas. Tavane é minha filha, quando nasceu um cara de mente mais evoluída me disse que ela tinha vindo ao mundo para ensinar e é verdade, mas vai precisar de muitas Tavanes para ensinar a este mundo.

Não podemos mais tolerar pessoas parando em vagas reservadas ou empresas destinando a PCD – apenas porque a lei obriga – funções indignas de suas capacidades. Perder uma perna, um braço ou um dedo não é o mesmo que não ter cérebro e ainda que fosse, se a pessoa não tem inteligência, uma sociedade que tem deveria acolhe-la e não simplesmente esperar que se adapte, quem tem que se adaptar são os ditos “normais”… até porque – meio que do nada – qualquer um de nós pode chegar a uma condição destas.

De qualquer forma, dou parabéns BGS por ter dado alguma atenção a PCDs, percebi claramente que houve um trabalho voltado para isso, porém não foi suficiente, digo não como crítico, mas como alguém que espera voltar lá e ver que este trabalho continua e que evoluiu.

Amanhã é domingo e não vai ter capítulo, mas a série continua na segunda, logo depois das badaladas da meia noite o capítulo 7 estará disponível. Vou comentar sobre um dos mais interessantes prodígios da BGS, os cosplayers, que estavam maravilhosas e maravilhosos …

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Sobre Divino C. R. Leitão

Safra de 57, um cara das artes, professor e coordenador do CPD da MS. Desde sempre!

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