MALDITOS SPAMMERS

GRRR….

Uma das histórias que dão origem ao termo SPAM, é muito engraçada e ainda mais engraçado é o vídeo do grupo de humor, Monty Python, que tornou o termo famoso.

SPAM é uma marca de carne enlatada, que — segundo o grupo de humoristas — é detestada pelos ingleses e daí a ser associada a e-mails não solicitados foi apenas um passo.

E isso foi nos idos dos primórdios, do nascimento da Internet, agora está tudo muito pior, pois recebemos SPAM pelo celular, pelas redes sociais, tornou-se um peso na balança, a favor do lado negro.

Atualmente temos leis que proíbem a prática, mas o SPAM se tornou institucional e atualmente é praticado pelas gigantescas empresas que dominam a Internet, sendo o Google e Facebook os campeões de queixas e também de acusações graves de praticarem outras atividades ainda mais ilegais.

Com SPAM se elegem até presidentes e o Youtube é pródigo em golpes e mais golpes, baseados em SPAM, que vem disfarçados de comerciais oferecendo formas de ganhar dinheiro sem fazer força, algo que parece agradar muito os candidatos a trouxa.

(MAIS) UM CAUSO DO DL…

Em 1995, quando a Internet engatinhava no Brasil, tornou-se moda usar e-mail com sistemas de grupos e um dos maiores e mais famosos que conheci foi o INFOETC, criado pelo Carlos Alberto Teixeira (CAT) para o Caderno de Informática do jornal O Globo, nem era um grupo oficial, mas por ter sido criado por um dos mais conhecidos articulistas do caderninho — como a gente carinhosamente chamava — chegou a beirar os 5 mil usuários, algo que para a época era uma proeza digna do Guinness Book.

Eu participava ativamente do grupo e cheguei a ser seu administrador em um momento que o CAT cansou da ingrata tarefa de cuidar daquela pequena filial do inferno e ao mesmo tempo do paraíso, pois já naquela época o bate-boca e falta de senso corriam solto, este era o inferno. O paraíso eram as informações trocadas e as amizades fantásticas que se podia fazer.

Duas delas, gostaria de comentar e aconteceram justamente por conta de SPAM

Um usuário do grupo, que até então eu não sabia da existência e que tinha um nome que até parecia fake — Walzer Poubel —  começou a mandar repetidas mensagens iguais, configurando o temível e detestável SPAM. Um outro usuário, também com um nome igualmente diferente e que vou chamar apenas de Max, porque já nos deixou e não pode autorizar que eu o cite, mas quem o conheceu vai se lembrar.

Max era brasileiro, mas morava na Suíça e era sério até onde se pode imaginar um suíço “legítimo”, dono de uma inteligência impar e gentileza idem.

Então escreveu gentilmente ao Walzer, que suas mensagens repetidas estariam incomodando. É preciso lembrar que na época o acesso a Internet era feito pelas linhas telefônicas e a velocidade de acesso era absurdamente lenta, levava alguns bons minutos para receber as mensagens e obviamente não era nada agradável ver a mesma mensagem repetida, em meio as tantas outras, de um grupo tão grande.

A resposta do Walzer foi curta e grossa, dizia algo a respeito da mãe do Max, que ficou bastante ofendido.

Fiz uma sugestão bem simples ao grupo, a de que todos que recebessem as mensagens repetidas do Walzer, simplesmente clicassem em reply, como a quantidade de usuários era muito grande isso iria simplesmente lotar a caixa de e-mail e causar problemas ao mal educado.

O que eu não esperava era o Walzer me ligar, pelo telefone mesmo, pedindo desculpas e se apresentando pela forma como se expressava parecia um moleque de 10 anos, mas era um homem feito, da minha idade, que em 95 ainda era quase perto dos 40 e mais, professor universitário.

Seu PQP para o Max não foi exatamente uma falta de educação, mas o jeito característico de um cara super gente boa, mas que estava aborrecido porque não sabia lidar com e-mail e estava enviando as mensagens repetidas por puro desconhecimento de como se usava aquela ferramenta, então se irritou com a conversa cheia de rodeios do Max, que também tinha esta característica de ser educado ao extremo, era uma coisa dele e o Walzer pensou que ele estaria de sacanagem e soltou o vá pra PQP público.

Ensinei ao Walzer como usar o sistema, expliquei a situação ao grupo e pedi que não seguissem a minha recomendação, que efetivamente já tinha trancado a caixa de e-mail do falso SPAMMER.

O que não esperava era receber uma ligação do Max, lá da distante Suíça, pedindo uma gentileza, mas já informando que pagaria regiamente por ela. O Max tinha bastante dinheiro. Ele queria que eu o representasse contra o Walzer em uma ação judicial, pois não admitia o xingamento público e como me achou uma pessoa confiável, desejava que eu aceitasse a proposta.

Recusei imediatamente, principalmente porque já havia conhecido o Walzer pessoalmente, pessoa boníssima que é até hoje um de meus melhores amigos.

Tentei convencer o Max que seria uma perda de tempo, pois é um xingamento tão comum que provavelmente nenhum advogado sequer aceitaria a causa, mas o Max insistiu veementemente, com aquela sua conversa cheia de rodeios, de uma pessoa com formação diferente e deixou claro que sabia que não ganharia nada, mas queria dar algum trabalho para o Walzer e nisso estava absolutamente certo.

Ao invés de dizer sim ou não, tomei como missão reconciliar os dois e consegui, o Walzer pediu desculpas publicamente e isso foi suficiente para o Max e o resultado é que conquistei a amizade de ambos, a do Walzer até hoje e a do Max até seu passamento, alguns anos depois, o que causou muita comoção a diversas outras pessoas que o admiravam.

Max aceitou trabalhar comigo no primeiro curso por EAD que fiz no final de 1999 , atuou como coordenador de um grupo de 16 professores, 8 observadores da imprensa e mais de 100 alunos, sem cobrar absolutamente nada e não fosse o seu indispensável gerenciamento eu não teria conseguido levar a tarefa adiante. Foi uma de suas últimas ações na Internet, pouco tempo depois nos deixaria de forma muito triste, com um problema no cérebro, que fez questão que não fosse dito a ninguém. Respeitei sua vontade e sei que fui uma das poucas pessoas com quem ele ainda conversava e dava para perceber a degradação apenas pelas mensagens… foi algo muito triste e no final ele pediu para que fosse informado aos amigos o que aconteceu. O que ele não queria eram pessoas com pena dele, durante o processo.

O Walzer foi meu parceiro em inúmeras atividades e uma das poucas pessoas que não me abandonaram em um problema que também tive —  uma depressão que durou uns cinco anos — e levou o milhão de “amigos” que eu achava que tinha, os que ficaram dá para contar em uma mão, mas valem mais que aquele falso milhão.

As histórias deste grupo, dariam um livro… mas só teria graça se fosse contada por todos, cada um com sua versão, entre elas uma figura que praticamente dominava o cenário no grupo. Nada menos que o pai da atriz Marina Ruy Barbosa — nascida nesta época — Com ele, Paulo Ruy Barbosa, tive tretas homéricas.

Atualmente não nos falamos, mas somente devido a distância e mundos diferentes ou certamente trocaríamos altos papos ainda. Naquela época havia dignidade nas tretas.

Contei tudo isso, para finalizar que no mesmo grupo, alguns anos depois, quando a Internet já era mais rápida e as pessoas mais hábeis começou a surgir mensagens que percebemos propositadamente ser SPAM e não paravam, perto deles as mensagem do Walzer nem contariam.

Descobrimos que vinham de uma universidade de Santa Catarina, certamente de servidores mais poderosos que uma simples computador doméstico e liguei pessoalmente para o reitor, que sequer me atendeu, mas passou para outra pessoa, que desconfio era o autor da “brincadeira” e praticamente me disse o mesmo que o Walzer disse ao Max,  só que ao vivo e o SPAM aumentou, ficando cada vez mais crítico.

Falei para o pessoal do grupo fazer o mesmo, a cada SPAM um reply. Então imagine quase 5 mil respostas a cada SPAM que enviavam…. desta vez foi o reitor que me ligou, inclusive querendo falar grosso, dizendo que estávamos atrapalhando o servidor da universidade e que poderia ter consequências. Lembrei-o que nunca foi crime responder a um e-mail, mas que o que a própria universidade estava fazendo era no mínimo uma incompetência, pela qual teria o maior prazer em denunciar e desta vez tinha a conversa gravada, podendo provar que ele tinha consciência do que estava acontecendo.

As mensagens pararam imediatamente e consequentemente nós também paramos e mais uma vez o Max não pode usar seu dinheiro para processar a universidade, ele chegou a afirmar que “bancaria” todas as despesas se houvesse o tal processo… nunca vi alguém tão ávido por jogar dinheiro fora 🙂

COMO ESTÁ ATUALMENTE?

Infinitamente pior, claro, nos dias de hoje temos, além do SPAM vitaminado, as Fake News e os malditos golpes, que aumentam a cada segundo, sem contar mais vírus do que somos  capazes de contar e ainda os que se consideram “donos” da Internet, pessoas ricas ou nem tanto, mas que se julgam poderosas e querem determinar como podemos usar ou principalmente não usar a mãe de todas as redes, países como a China, Rússia ou Coréia do Norte que o digam, nestes lugares a Internet é mais um pesadelo do que um sonho.

E neste cenário de catástrofe, onde de um lado temos a chegada do 5G, ou o Elon Musk poluindo o espaço com milhares de satélites só para “dominar” a Internet, algo que o Bill Gates já tentou fazer no passado mas fracassou fragorosamente,, fora ameaças de guerra mundial, o que tornaria a Internet apenas uma vaga lembrança.

Ai fico sabendo que um cara muito esperto fez o mesmo que eu fiz em 1995, mas fez sozinho e não com a ajuda de 5 mil pessoas e criou um aplicativo capaz de “dar o troco” nos MALDITOS SPAMMERS . O programa é muito simples, quando alguém lhe manda um e-mail com SPAM, você pode usar o aplicativo para responder 100 vezes a cada novo SPAM.

Infelizmente é só uma doce ilusão e pode até dar trabalho a um SPAMMER novato, mas os profissionais desta arte nem vão ligar, mesmo porque usam e-mails que não aceitam resposta, portanto será perda de tempo tentar algo contra os servidores dessa canalha.

E ainda cria um outro problema, porque um usuário mais esperto vai perceber que pode usar este programa para enviar SPAM, ou seja, o remédio é mais amargo e causa mais problemas que a doença e por este motivo não vou dizer mais nada a respeito desta pequena joia de vingancinha.

A solução para se livrar de SPAM é pacientemente bloquear os remetentes que o praticam, qualquer programa de e-mail cria filtro para isso com dois ou três cliques e BINGO você está livre até os canalhas perceberem que estão bloqueados e e mudarem de servidor, para novamente serem bloqueados ou pior, acabarem presos, pois atualmente temos leis severas contra SPAMMERS e se não podemos pegar os hackers que os praticam podemos responsabilizar as empresas que os pagam, já que ninguém perde mais tempo em mandar um SPAM sem ter alguém pagando por isso, pode ser um político, uma pequena ou grande empresa equivocada, que ainda não entendeu que SPAM não é uma boa ferramenta.

Já as outras questões…. não tenho solução, até porque os vilões estão vencendo em todas as frentes, chegamos ao cúmulo de sermos bloqueados em redes sociais, por elas aceitarem reclamações totalmente improcedentes de lacradores, alguns regiamente pagos para fazer valer sua lacração pessoal, seu “politicamente correto” que na verdade estão mais para TI (Totalmente Incorretos) ou simplesmente porque não são felizes…. nasceram burros, não aprenderam nada e ainda esqueceram a metade, como diz o subtítulo de um filme antigo — Il Mostro (O monstro) —  escrito, estrelado e dirigido por Roberto Benigne, realmente um monstro do humor italiano.

O que nos resta é tentar rir mesmo…. porque chorar não vai adiantar.

Series Navigation<< WHATSAPP PINKGOLPE DO WHATSAPP >>

Divino Leitão

Safra de 57, um cara das artes, professor e coordenador do CPD da MS. Desde sempre!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

%d blogueiros gostam disto: